1 option
Maquinaria Da Unidade; Bordas Da Dispersão : Estudos de Antropologia Do Estado
- Format:
- Book
- Author/Creator:
- Lima, Antonio Carlos de Souza.
- Language:
- Portuguese
- Subjects (All):
- Anthropology--Brazil.
- Anthropology.
- Ethnology--Brazil.
- Ethnology.
- Indigenous peoples--Brazil--Government relations.
- Indigenous peoples.
- Indigenous peoples--Brazil--Social conditions.
- Brazil.
- Genre:
- Libros electrónicos.
- Physical Description:
- 1 online resource (625 p.)
- Edition:
- 1st ed.
- Other Title:
- Maquinaria da unidade; bordas da dispersão
- Place of Publication:
- Rio de Janeiro : 7Letras, 2022.
- Summary:
- Uma Antropologia do Estado com alto teor de reflexão teórica e envolvimento etnográfico é o que oferecem com maestria os textos dos organizadores e autores deste livro. Sua leitura é um convite e um desafio ao diálogo entre antropólogos, cientistas políticos e sociólogos que se debruçam sobre as práticas estatais. O Estado, suas políticas e seus efeitos , sua unidade e sua dispersão, são analisados em seus contextos brasileiro e latino-americano em algumas áreas diversas: política indigenista, políticas culturais e a relação do Estado com a religião. A principal enunciação teórica é concisa: os Estados não são formados de uma vez por todas. Contrapõe-se assim à a noção de Estado como "ser", ou "ente coeso", presente na linguagem cotidiana e jurídica e que muitas vezes se deixa aparecer como tal na linguagem das ciências sociais. Embora concisa, a enunciação é altamente complexa. Leva a sério que os vários momentos e faces do Estado e das suas práticas políticas respondem a jogos constantes de correlações de forças entre classes, etnias, raças e gêneros.O Estado visto como processo, e não como ente, permite a articulação do passado, do presente e do futuro, de tal modo que formas antigas coloniais podem ser reveladas ao se apresentarem com novas roupagens no período pós-colonial. Antonio Carlos de Souza Lima, ao analisar a gestação (formação) e a gerência do poder tutelar sobre os povos indígenas introduzida e regulamentada pelo Estado brasileiro sob o regime republicano nos anos 1910/20 do século passado, revela, de forma clara, os princípios da colonialidade advindas do passado e suas atualizações colonialistas presentificadas.Se o jogo de correlações de forças sociais sempre presentes pressupõe a produção de hegemonia e a produção de desigualdades e exclusão de alteridades, não há espaço teórico para entender a hegemonia produzida como rei cada. Há espaço teórico para analisar o impacto dos movimentos contra-hegemônicos de segmentos subalternos que buscam o acesso a direitos, assim como o impacto dos movimentos de elites que busquem mais privilégios, mais poder e imponham maior desigualdade.O Estado não é assim redutível a um entendimento como se fosse apenas o exercício de "tecnologias de poder" sobre "os dominados". Embora as práticas estatais sejam exercidas como tecnologias de poder, impactam diferentemente os segmentos sociais e não são impermeáveis a transformações contínuas ou disruptivas. Está em jogo tanto a expansão da democratização como a configuração de um Estado autoritário. O último capítulo e o posfácio se voltam para o atual momento político no Brasil. Um governo que busca um poder autoritário produz o paradoxo de um notório desmonte de instituições estatais que até então se voltavam para a defesa (ainda que parcial e precária) dos povos indígenas, dos quilombolas e do meio ambiente. Não só: lado a lado, notório desmonte das instituições em favor dos direitos humanos, de instituições científicas, de ataque aos antropólogos que parecem estar "incomodando" e de uma necrofilia produzida pelo descaso em relação à pandemia.Lia Zanotta MachadoProfessora Emérita Universidade de Brasília
- Contents:
- Intro
- Introdução
- Fabricando unidade, embalando a dispersão: estudos de antropologia do Estado
- Caio Gonçalves Dias
- Capítulo 1
- A antropologia da administração e da governança no Brasil: uma área temática ou um ponto de dispersão?
- Antonio Carlos de Souza Lima
- Capítulo 2
- Para uma abordagem antropológica da(s) política(s) pública(s)
- João Paulo Macedo e Castro
- Capítulo 3
- Reconsiderando poder tutelar e formação do Estado no Brasil: notas a partir da criação do "Serviço de Proteção aos Índios e Localização de Trabalhadores Nacionais"
- Antonio Carlos de Souza Lima
- Capítulo 4
- Tradições de conhecimento para gestão colonial da desigualdade: reflexões a partir da administração indigenista no Brasil
- Capítulo 5
- Sobre gestar e gerir a desigualdade: pontos de investigação e diálogo
- Capítulo 6
- Notas (muito) breves sobre a cooperação técnica internacional para o desenvolvimento
- Capítulo 7
- Políticas culturais como tecnologia de governo no Brasil (2002-2016)
- Capítulo 8
- Planejar e participar: a área da cultura e processos de formação de Estado
- Pedro Gondim
- Capítulo 9
- Sobre "batalhas espirituais": notas para a análise de religião e política no Brasil contemporâneo
- Raquel Sant'Ana
- Capítulo 10
- Hacer los lugares mágicos
- Laura Navallo
- Capítulo 11
- Prácticas fundacionales del Estado uruguayo: acción y gestión estatal sobre los pueblos indígenas en el siglo XIX
- Ana Francesca Repetto Iribarne
- Capítulo 12
- Estado e representação: práticas estatais e desenvolvimento no Vale do Jequitinhonha
- André Borges de Mattos
- Capítulo 13
- Belisário Penna e a burocracia sanitária na primeira década do século XX na cidade do Rio de Janeiro
- Taiguara de Souza Moreira
- Capítulo 14
- "Se eu pensar nisso, eu enlouqueço": sofrimento psíquico na administração pública
- Monique Florencio de Aguiar
- Capítulo 15
- Certificaciones étnicas: una etnografía de la Consulta Previa en Colombia
- Raúl Alejandro Delgado Montenegro
- Capítulo 16
- Entre participar, representar e assistir: a trajetória de uma clínica jurídica para refugiados e imigrantes no Rio de Janeiro
- Lucas Odilon
- Capítulo 17
- Direitos constituídos e reconhecidos, imagens do Estado: a ambiguidade das ações governamentais na visão do povo Pankararu
- Cristiane Gomes Julião
- Capítulo 18
- Gestão do desastre: etnografia do processo de mediação entre agentes do Estado, mineradoras e vítimas em Mariana (MG)
- Marcos Cristiano Zucarelli
- Capítulo 19
- Antropologia e Estado no Brasil: questões em torno de uma relação complexa
- Posfácio
- O Estado são os outros?
- Adriana Facina
- Sobre os autores
- Notes:
- Description based upon print version of record.
- Descripción basada en metadatos suministrados por el editor y otras fuentes.
- Description based on publisher supplied metadata and other sources.
- ISBN:
- 9786559052271
- OCLC:
- 1415858801
The Penn Libraries is committed to describing library materials using current, accurate, and responsible language. If you discover outdated or inaccurate language, please fill out this feedback form to report it and suggest alternative language.